Declamo Aqui
& Ali – Declamo A qui
Há consistência no que em si – não é nada
Não é nada
A poesia é coisa de Homens
É coisa em si, coisa no caos que em si não é nada
em si não é nada...
A poesia é coisa de caos, O poeta
o seu sentido em si não é nada
O Poema – Sem sentido em si não é nada, Em SI Não é nada.
Um reflexo desordenado do caos
Um reflexo sem sentido
Por ventura em si se encontra E POR
VENTURA em SI.
Em si poeta
Em si o sentido
Em si o caos
Não o reflexo ordenado o sentido...
O sem ti desordenado poeta
poeta
poeta poeta
o caos o sentido
Não aqui. Não.
Aqui é desordem esta ordem.
Por ventura - encontrar-me ali no poema se estou -
aqui no caos e em si
no poeta
.
domingo, 26 de junho de 2011
terça-feira, 7 de junho de 2011
Terça-Feira, 7 de junho de 2011
- Mexo nos meus armários e na papelada. O paciente já entrou. Continuo à procura de algo que posso procurar noutra altura. Sinto-me com um aspecto descontraído por ter este à vontade.
- Já melhorei, aliás, já estou bem, mas sofria dos seguintes sinais: – Tanta procura para acabar por fechar o armário, se não era importante porquê continuar a fazer-lo já depois de eu ter entrado. Esforço-me para demonstrar que sei a diferença entre um sinal e um sintoma. Contrariamente à palavra sintoma que tinha disponível para descrever os sintomas de que sofria, usei a palavra sinal, o nosso pensamento engana-nos. - tosse, espirros, rinorreia, inflam
- Ainda bem que já está melhor – Nunca ouvem o que eu digo à primeira – Mas quero saber os quais os seus sintomas.
- Sim, comecei por lhe dizer que já estou melhor – Ouviu o início do que eu estava a dizer e foi necessário para que pensasse que o resto já não valia a pena ouvir – e depois passei à descrição dos sinais de que sofria
- Sorrio, mas não sei porque sorrio. O melhor é sorrir e mexer aqui nestes papéis.
- Tosse, rinorreia, espirros, olhos inflamados, dificuldade em respirar – É melhor fornecer-lhe um diagnóstico completo, não vá ela esquecer-se de fazer perguntas essenciais – Praticamente todos os sintomas que são descritos pelos artigos de jornais e revistas – em que imprimem a cores e a alta definição o medicamento que irá resolver os sintomas, ao lado e ao longo de uma página inteira. Disse sinais em vez de dizer sintomas, queria dizer sintomas. Refiro os jornais e revistas para que se desperte na sua memória o catálogo de sinais e sintomas que decorou enquanto macaco aprendiz, não vá esquecer-se de nada importante – De há três anos para cá que tenho tido estes períodos que se têm estendido de um mês, para o dobro e para o dobro novamente. Este ano terei começado a sentir-me assim por volta de Fevereiro.
- E quando é que se começou a sentir melhor? - Falam e falam, a este ritmo terei que ficar até depois das sete. É útil o que diz, vou tomar nota.
- De há duas semanas para cá – Porque é que olho para cima quando pesquiso a minha memória? É melhor olhar para cima para que perceba que estou a ser preciso. Isso, escreva a data na folha.
- Portanto Maio
- Foi bom ter chovido entretanto, aproveito para sair à rua e respirar – Repare como sei que a chuva faz recolher o pólen ao solo.
- Mas portanto, só quando chove é que se sente bem de novo – Tenho muitos colegas que deixam escapar estes pormenores, com estes pormenores é que se fica a perceber o problema.
- Comecei a sentir-me bem antes de se ter iniciado este período de chuva – Já sabia que ia fazer esta pergunta. É melhor deixar isto bem claro e dizer-lo assim peremptoriamente, não se vá querer convencer de que ainda não estou bom. Dizer-lo peremptoriamente e com confiança vai ser o bastante para a convencer.
- Podia ser da chuva, as pessoas pensam que estão boas porque está a chover, mas depois as alergias regressam – Estou convencida de que melhorou antes da chuva. Anoto o período em que melhorou.
- Já estou melhor. - Ficou claro. Pergunta-me por Fevereiro, diz nomes entre dentes e amacia a garganta, parece focar com muita atenção um ponto nas lentes oculares, toma nota desses nomes.
- As árvores e as plantas que se polinizam em Fevereiro são... Sim, esta, e mais esta, vou escrevê-las. Hoje não arrumei a loiça.
- São as plantas que se polinizam nesta altura do ano? - São as plantas que se polinizam nesta altura do ano? Escreveu «cão» e «gato».
- E ácaros, bactérias, potenciais alergénicos – Este também. Estas calças são apertadas nas ancas e fazem-me suar pelas verilhas, tenho os glúteos apertados e sinto-me empoleirada num estofo sintético. Os anéis apertam-me os dedos – Onde vive? - Aquela, sim aquela também.
- Em B. - As árvores que existem em B. são as mesmas que existem por toda a cidade de L.
- Em B. - Mostro aprovação. Continuo a lembrar-me de árvores e de plantas.
- Espero. Porque não espreita simplesmente a lista do paciente anterior? Existirão assim tantas àrvores e plantas diferentes em L.? Quase não existem jardins, apenas alguns buracos neste tecido de alcatrão, betão, canalizações e fios eléctricos, aterros e pisos subterrâneos, apenas alguns buracos onde ainda se espreita a pele da terra, alguns buracos de onde ainda se erguem algumas árvores, atordoadas ainda pela realidade em que germinaram um dia. O que será ser uma árvore, o que será ser uma árvore numa fila de árvores ao longo de uma avenida de oito faixas ladeada por prédios de dez andares aturdidos por 100.000 veículos por dia de um lado, e ruído doméstico do outro? Uma espécie de vala de fumo e as árvores ali plantadas.
Sinto o cansaço das árvores quando corro pela cidade à noite, ouve-se ainda na noite recém nascida o zumbido do dia que passou, e quando o estrondo parece amainar, as árvores têm pouco tempo para se espreguiçarem e desentorpecerem os ramos e sacudirem as folhas, antes que chegue o fresco matinal, o retiro das estrelas e a rotação da terra, chegam já pesados autocarros carregados de tropegos ensonados. Ouve-se o atrito de alcatrão sobre alcatrão, pneus sobre o asfalto, o chiar dos travões, os tubos de escape inflamados, as luzes eléctricas. Tropeçam sobre os joelhos e dirigem-se em grupos para os locais de trabalho, em processo automático, alguns dizem umas piadas, outros engolem mais um dia, e depois chega outro autocarro. Antes que se recomecem os rasgões na avenida de oito faixas, vão sair em vagas intervaladas mais algumas centenas de trabalhadores. Mais um estranho dia para se ser árvore.
- Muito bem – Está tudo.
- Sorrio. Que faz agora? Procura mais papelada no armário? Não. O que será o que traz na mão? O Kit - alergologista? Vai ler o manual de instruções à minha frente.
- Agora vai estender os braços por favor – Diagnóstico. Marcas no braço do paciente. Desenroscar amostras. Uma amostra por cada marca. É insuportável o calor desta altura do ano, e agora com o céu encoberto nem se vê o sol, fica assim o céu, um véu cinzento e tecto de estufa. Não me sinto feliz. Quero apanhar ar.
- São extractos das plantas? - Esforço-me para encontrar uma palavra técnica, não quero parecer um ignorante.
- Sim. - Onde está aquela amostra?
- Em água? - Desenha-me a caneta 20 traços nos braços, pretende associar cada traço a cada amostra, é melhor recordar-me não vá ela perder a conta. Que faz? Arruma as amostras ao monte, não admira que leve tanto tempo a encontrar a que quer. Empurra as amostras para ver as que estão por debaixo delas. O que é que ela fazia antes de ser médica, vendia vernizes para as unhas numa feira ambulante? O que é que estas amostras têm? Pelo jeito comprou-as por encomenda num reclame de televisão.
- Não! - Que absurdo o que acabei de ouvir! – É um tipo de solvente, cada amostra terá o tipo de solvente próprio, até porque a água poderia estragar a amostra – Oscilo um pouco a cabeça em volta de um eixo no pescoço, um pouco para um lado, um pouco para outro. Que pergunta.
- Portanto experimenta amostra por amostra para ver qual delas irá provocar uma reacção alérgica. - Vejamos se não se esquece de nada.
- Sim – Ia jurar que sabia onde estava aquela amostra. Estas devem chegar.
- Mas o teste funciona assim, basta o contacto por via cutânea? - Fechou o kit. O primeiro gesto menos macarrónico: Enceta uma agulha esterilizada Fura-me a epiderme para que as amostras penetrem a pele. Se me abstrair da acção perfurante da agulha, quase não sinto dor. A atenção serve de enfoque, não devemos confundir o poder de enfoque com a realidade magnificada do facto observado. - E agora, devo esperar sentir-me inflamado e com dificuldades em respirar para ficar a saber que tenho alergia?
- Já vai ver, espere 15 minutos na sala de espera – Onde pûs aquele papel?
- Sinto uma estranha irritação nos antebraços, deve ser psicológico. Sento-me a ler, a irritação intensifica-se. Deve ser psicológico. «os princípios pedagógicos que orientam os sistemas os sistemas educativos […] têm vindo a privilegiar a indisciplina, a espontaneidade, a criação pessoal. Eu acho que esses princípios deram mal resultado.» Vejamos o que é que este tipo diz a seguir, «A meu ver, os pontos de partida estão errados, como considerar que as crianças têm uma curiosidade natural para aprender, para saber mais, estudar, esforçar-se, para se organizarem. Nada disto é verdade. Essas são coisas que se aprendem e que se treinam. Não se pode esperar que as pessoas tenham esse equilíbrio entre disciplina e rebeldia – não se ensina a rebeldia porque isso não se ensina a ninguém […] Tem de se ensinar a pensar; as pessoas, naturalmente, não sabem pensar» Se formos pela norma... Mas porque haveremos de querer ir pela norma? Que irritação. Arranhar a pele com as unhas. Não, não vou arranhar os antebraços, se arranhar a pele fico com a pele vermelha, não quero depois ouvir: «Está a ver como ficou todo inflamado!» Nem ela sabe se isto funciona. A comichão é psicológica «...as reacções alérgicas resultam de um «erro» de leitura dos sistema imunológico, que assume como inimigas substâncias consideradas banais...» Não emoldurou o diploma, tem-no ali crucificado no placar de cortiça ao lado da tabela de preços. Aprecio de certa forma o modo como expõe o o seu diploma - «Atendimento por ordem de chegada» - Outros emoldurariam a tabela de preços. Gostava que editassem um livro em formato de revista, gosto de folhear as folhas de uma revista num plano amplo e espaçoso de uma mesa secretária desanuviada. Chamaram o meu nome. Aquele outro tornou os olhos e as orelhas para a enfermeira, mais tarde fiquei a saber que o seu nome não soava sequer como o meu.
[...]
- Já melhorei, aliás, já estou bem, mas sofria dos seguintes sinais: – Tanta procura para acabar por fechar o armário, se não era importante porquê continuar a fazer-lo já depois de eu ter entrado. Esforço-me para demonstrar que sei a diferença entre um sinal e um sintoma. Contrariamente à palavra sintoma que tinha disponível para descrever os sintomas de que sofria, usei a palavra sinal, o nosso pensamento engana-nos. - tosse, espirros, rinorreia, inflam
- Ainda bem que já está melhor – Nunca ouvem o que eu digo à primeira – Mas quero saber os quais os seus sintomas.
- Sim, comecei por lhe dizer que já estou melhor – Ouviu o início do que eu estava a dizer e foi necessário para que pensasse que o resto já não valia a pena ouvir – e depois passei à descrição dos sinais de que sofria
- Sorrio, mas não sei porque sorrio. O melhor é sorrir e mexer aqui nestes papéis.
- Tosse, rinorreia, espirros, olhos inflamados, dificuldade em respirar – É melhor fornecer-lhe um diagnóstico completo, não vá ela esquecer-se de fazer perguntas essenciais – Praticamente todos os sintomas que são descritos pelos artigos de jornais e revistas – em que imprimem a cores e a alta definição o medicamento que irá resolver os sintomas, ao lado e ao longo de uma página inteira. Disse sinais em vez de dizer sintomas, queria dizer sintomas. Refiro os jornais e revistas para que se desperte na sua memória o catálogo de sinais e sintomas que decorou enquanto macaco aprendiz, não vá esquecer-se de nada importante – De há três anos para cá que tenho tido estes períodos que se têm estendido de um mês, para o dobro e para o dobro novamente. Este ano terei começado a sentir-me assim por volta de Fevereiro.
- E quando é que se começou a sentir melhor? - Falam e falam, a este ritmo terei que ficar até depois das sete. É útil o que diz, vou tomar nota.
- De há duas semanas para cá – Porque é que olho para cima quando pesquiso a minha memória? É melhor olhar para cima para que perceba que estou a ser preciso. Isso, escreva a data na folha.
- Portanto Maio
- Foi bom ter chovido entretanto, aproveito para sair à rua e respirar – Repare como sei que a chuva faz recolher o pólen ao solo.
- Mas portanto, só quando chove é que se sente bem de novo – Tenho muitos colegas que deixam escapar estes pormenores, com estes pormenores é que se fica a perceber o problema.
- Comecei a sentir-me bem antes de se ter iniciado este período de chuva – Já sabia que ia fazer esta pergunta. É melhor deixar isto bem claro e dizer-lo assim peremptoriamente, não se vá querer convencer de que ainda não estou bom. Dizer-lo peremptoriamente e com confiança vai ser o bastante para a convencer.
- Podia ser da chuva, as pessoas pensam que estão boas porque está a chover, mas depois as alergias regressam – Estou convencida de que melhorou antes da chuva. Anoto o período em que melhorou.
- Já estou melhor. - Ficou claro. Pergunta-me por Fevereiro, diz nomes entre dentes e amacia a garganta, parece focar com muita atenção um ponto nas lentes oculares, toma nota desses nomes.
- As árvores e as plantas que se polinizam em Fevereiro são... Sim, esta, e mais esta, vou escrevê-las. Hoje não arrumei a loiça.
- São as plantas que se polinizam nesta altura do ano? - São as plantas que se polinizam nesta altura do ano? Escreveu «cão» e «gato».
- E ácaros, bactérias, potenciais alergénicos – Este também. Estas calças são apertadas nas ancas e fazem-me suar pelas verilhas, tenho os glúteos apertados e sinto-me empoleirada num estofo sintético. Os anéis apertam-me os dedos – Onde vive? - Aquela, sim aquela também.
- Em B. - As árvores que existem em B. são as mesmas que existem por toda a cidade de L.
- Em B. - Mostro aprovação. Continuo a lembrar-me de árvores e de plantas.
- Espero. Porque não espreita simplesmente a lista do paciente anterior? Existirão assim tantas àrvores e plantas diferentes em L.? Quase não existem jardins, apenas alguns buracos neste tecido de alcatrão, betão, canalizações e fios eléctricos, aterros e pisos subterrâneos, apenas alguns buracos onde ainda se espreita a pele da terra, alguns buracos de onde ainda se erguem algumas árvores, atordoadas ainda pela realidade em que germinaram um dia. O que será ser uma árvore, o que será ser uma árvore numa fila de árvores ao longo de uma avenida de oito faixas ladeada por prédios de dez andares aturdidos por 100.000 veículos por dia de um lado, e ruído doméstico do outro? Uma espécie de vala de fumo e as árvores ali plantadas.
Sinto o cansaço das árvores quando corro pela cidade à noite, ouve-se ainda na noite recém nascida o zumbido do dia que passou, e quando o estrondo parece amainar, as árvores têm pouco tempo para se espreguiçarem e desentorpecerem os ramos e sacudirem as folhas, antes que chegue o fresco matinal, o retiro das estrelas e a rotação da terra, chegam já pesados autocarros carregados de tropegos ensonados. Ouve-se o atrito de alcatrão sobre alcatrão, pneus sobre o asfalto, o chiar dos travões, os tubos de escape inflamados, as luzes eléctricas. Tropeçam sobre os joelhos e dirigem-se em grupos para os locais de trabalho, em processo automático, alguns dizem umas piadas, outros engolem mais um dia, e depois chega outro autocarro. Antes que se recomecem os rasgões na avenida de oito faixas, vão sair em vagas intervaladas mais algumas centenas de trabalhadores. Mais um estranho dia para se ser árvore.
- Muito bem – Está tudo.
- Sorrio. Que faz agora? Procura mais papelada no armário? Não. O que será o que traz na mão? O Kit - alergologista? Vai ler o manual de instruções à minha frente.
- Agora vai estender os braços por favor – Diagnóstico. Marcas no braço do paciente. Desenroscar amostras. Uma amostra por cada marca. É insuportável o calor desta altura do ano, e agora com o céu encoberto nem se vê o sol, fica assim o céu, um véu cinzento e tecto de estufa. Não me sinto feliz. Quero apanhar ar.
- São extractos das plantas? - Esforço-me para encontrar uma palavra técnica, não quero parecer um ignorante.
- Sim. - Onde está aquela amostra?
- Em água? - Desenha-me a caneta 20 traços nos braços, pretende associar cada traço a cada amostra, é melhor recordar-me não vá ela perder a conta. Que faz? Arruma as amostras ao monte, não admira que leve tanto tempo a encontrar a que quer. Empurra as amostras para ver as que estão por debaixo delas. O que é que ela fazia antes de ser médica, vendia vernizes para as unhas numa feira ambulante? O que é que estas amostras têm? Pelo jeito comprou-as por encomenda num reclame de televisão.
- Não! - Que absurdo o que acabei de ouvir! – É um tipo de solvente, cada amostra terá o tipo de solvente próprio, até porque a água poderia estragar a amostra – Oscilo um pouco a cabeça em volta de um eixo no pescoço, um pouco para um lado, um pouco para outro. Que pergunta.
- Portanto experimenta amostra por amostra para ver qual delas irá provocar uma reacção alérgica. - Vejamos se não se esquece de nada.
- Sim – Ia jurar que sabia onde estava aquela amostra. Estas devem chegar.
- Mas o teste funciona assim, basta o contacto por via cutânea? - Fechou o kit. O primeiro gesto menos macarrónico: Enceta uma agulha esterilizada Fura-me a epiderme para que as amostras penetrem a pele. Se me abstrair da acção perfurante da agulha, quase não sinto dor. A atenção serve de enfoque, não devemos confundir o poder de enfoque com a realidade magnificada do facto observado. - E agora, devo esperar sentir-me inflamado e com dificuldades em respirar para ficar a saber que tenho alergia?
- Já vai ver, espere 15 minutos na sala de espera – Onde pûs aquele papel?
- Sinto uma estranha irritação nos antebraços, deve ser psicológico. Sento-me a ler, a irritação intensifica-se. Deve ser psicológico. «os princípios pedagógicos que orientam os sistemas os sistemas educativos […] têm vindo a privilegiar a indisciplina, a espontaneidade, a criação pessoal. Eu acho que esses princípios deram mal resultado.» Vejamos o que é que este tipo diz a seguir, «A meu ver, os pontos de partida estão errados, como considerar que as crianças têm uma curiosidade natural para aprender, para saber mais, estudar, esforçar-se, para se organizarem. Nada disto é verdade. Essas são coisas que se aprendem e que se treinam. Não se pode esperar que as pessoas tenham esse equilíbrio entre disciplina e rebeldia – não se ensina a rebeldia porque isso não se ensina a ninguém […] Tem de se ensinar a pensar; as pessoas, naturalmente, não sabem pensar» Se formos pela norma... Mas porque haveremos de querer ir pela norma? Que irritação. Arranhar a pele com as unhas. Não, não vou arranhar os antebraços, se arranhar a pele fico com a pele vermelha, não quero depois ouvir: «Está a ver como ficou todo inflamado!» Nem ela sabe se isto funciona. A comichão é psicológica «...as reacções alérgicas resultam de um «erro» de leitura dos sistema imunológico, que assume como inimigas substâncias consideradas banais...» Não emoldurou o diploma, tem-no ali crucificado no placar de cortiça ao lado da tabela de preços. Aprecio de certa forma o modo como expõe o o seu diploma - «Atendimento por ordem de chegada» - Outros emoldurariam a tabela de preços. Gostava que editassem um livro em formato de revista, gosto de folhear as folhas de uma revista num plano amplo e espaçoso de uma mesa secretária desanuviada. Chamaram o meu nome. Aquele outro tornou os olhos e as orelhas para a enfermeira, mais tarde fiquei a saber que o seu nome não soava sequer como o meu.
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