domingo, 28 de agosto de 2011

A indiferença silenciosa, grave, quase benévola, é a manifestação legítima da morte de toda a crença.

Alexandre Herculano

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Como se morre de velhice

Como se morre de velhice
ou de acidente ou de doença,
morro, Senhor, de indiferença.

Da indiferença deste mundo
onde o que se sente e se pensa
não tem eco, na ausência imensa.

Na ausência, areia movediça
onde se escreve igual sentença
para o que é vencido e o que vença.

Salva-me, Senhor, do horizonte
sem estímulo ou recompensa
onde o amor equivale à ofensa.

De boca amarga e de alma triste
sinto a minha própria presença
num céu de loucura suspensa.

(Já não se morre de velhice
nem de acidente nem de doença,
mas, Senhor, só de indiferença.)

Cecília Meireles

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O sono

O sono que desce sobre mim,
O sono mental que desce fisicamente sobre mim,
O sono universal que desce individualmente sobre mim -
Esse sono
Parecerá aos outros o sono de dormir,
O sono da vontade de dormir,
O sono de ter sono.

Mas é mais, mais de dentro, mais de cima:
É o sono da soma de todas as desilusões,
É o sono da síntese de todas as desesperanças,
É o sono de haver mundo comigo lá dentro
Sem que eu houvesse contribuído em nada para isso.

O sono que desce sobre mim
É contudo como todos os sonos.
O cansaço tem ao menos brandura,
O abatimento tem ao menos sossego,
A rendição é ao menos o fim do esforço,
O fim é ao menos o já não haver que esperar.

Há um som de abrir uma janela,
Viro indiferente a cabeça para a esquerda
Por sobre o ombro que a sente,
Olho pela janela entreaberta:
A rapariga do segundo andar de defronte
Debruça-se com os olhos azuis à procura de alguém.
De quem?,
Pergunta a minha indiferença.
E tudo isso é sono.

Meu Deus, tanto sono!...

Álvaro de Campos

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Conveniencias de no usar de los ojos, de los oídos y de la lengua

Oír, ver y calar, remedio fuera
En tiempo que la vista y el oído
Y la lengua pudieran ser sentido
Y no delito que ofender pudiera.

Hoy, sordos de los remedios con la cera,
Golfo navegaré que (encanecido
De huesos, no de espumas) con bramido
Sepulta a quién oyó voz lisonjera.

Sin ser oído y sin oír, ociosos
Ojos y orejas, viviré olvidado
Del ceño de los hombres poderosos.

Si es deito saber quien ha pecado,
Los vicios escudriñen los curiosos:
Y viva yo ignorante y ignorado.

Francisco de Quevedo

Poeminha de homenagem à preguiça universal

Que nada é impossível
Não é verdade;
Todo o mundo faz nada
Com facilidade.

Millôr Fernandes

domingo, 21 de agosto de 2011

Porque o melhor, enfim

Porque o melhor, enfim,
É não ouvir nem ver...
Passarem sobre mim
E nada me doer!
Sorrindo interiormente,
Co'as pálpebras cerradas,
Às águas da torrente
Já tão longe passadas.
Rixas, tumultos, lutas,
Bão me fazem dano...
Alheio às vãs labutas,
Às estações do ano.
Passar o estio, o outono,
A poda, a cava e a redra,
E eu dormindo um sono
Debaixo duma pedra.
Melhor até se o acaso
O leito me reserva
No prado extenso e raso
Apenas sob a erva
Que Abril copioso ensope...
E, esvelto, a intervalos

Fustigue-me o galope
De bandos de cavalos.
Ou no serrano mato,
A brigas tão propício,
Onde o viver ingrato
Dispõe ao sacrifício
Das vidas, mortes duras
Ruam pelas quebradas,
Com choques de armaduras
E tinidos de espadas...
Ou sob o piso, até,
Infame e vil da rua,
Onde a torva ralé,
Irrompe, tumultua,
Se estorce, vocifera,
Selvagem nos conflitos,
Com ímpetos de fera
Nos olhos, saltos, grito...
Roubos, assassinatos!
Horas jamais tranquilas,
Em brutos pugilatos
Fracturaram-se as maxilas...
E eu sob a terra firme,
Compacta, recalcada,
Muito quietinho. A rir-me
De não me doer nada.

Camilo Pessanha

Os grandes indiferentes

Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia
Tinha não sei qual guerra,
Quando a invasão ardia na cidade
E as mulheres gritavam,
Dois jogadores de xadrez jogavam
O seu jogo contínuo.

À sombra de ampla árvore fitavam
O tabuleiro antigo,
E, ao lado de cada um, esperando os seus
Momentos mais folgados,
Quando havia movido a pedra, e agora
Esperava o adversário.
Um púcaro com vinho refrescava
Sobriamente a sua sede.

Ardiam casas, saqueadas eram
As arcas e as paredes,
Violadas, as mulheres eram postas
Contra os muros caídos,
Trespassadas de lanças, as crianças
Eram sangue nas ruas...
Mas onde estavam, perto da cidade,
E longe do seu ruído,
Os jogadores de xadrez jogavam
O jogo de xadrez.

Inda que nas mensagens do ermo vento
Lhes viessem os gritos,
E, ao reflectir, soubessem desde a alma
Que por certo as mulheres
E as tenras filhas violadas eram
Nessa distância próxima,
Inda que, no momento que o pensavam,
Uma sombra ligeira
Lhes passasse na fronte alheada e vaga,
Breve seus olhos calmos
Volviam sua atenta confiança
Ao tabuleiro velho.

Quando o rei de marfim está em perigo,
Que importa a carne e o osso
Das irmãs e das mães e das crianças?
Quando a torre não cobre
A retirada rainha branca,
O saque pouco importa.
E quando a mão confiada leva o xeque
Ao rei do adversário,
Pouco pesa na alma que lá longe
Estejam morrendo filhos.

Mesmo que, de repente, sobre o muro
Surja a sanhuda face
Dum guerreiro invasor, e breve deva
Em sangue ali cair
O jogador solene de xadrez,
O momento antes desse
(É ainda dado ao cálculo dum lance
Pra a efeito horas depois)
É ainda entregue ao jogo predileto
Dos grandes indiferentes.

Caiam cidades, sofram povos, cesse
A liberdade e a vida.
Os haveres tranquilos e avitos
Ardem e que se arranquem,
Mas quando a guerra os jogos interrompa,
Esteja o rei sem xeque,
E o de marfim peão mais avançado
Pronto a comprar a torre.

Meus irmãos em amarmos Epicuro
E o entendermos mais
De acordo com nós-próprios que com ele,
Aprendamos na história
Dos calmos jogadores de xadrez
Como passar a vida.

Tudo o que é sério pouco nos importe,
O grave pouco pese,
O natural impulso dos instintos 
Que ceda ao inútil gozo
(Sob a sombra tranquila do arvoredo)
De jogar um bom jogo.

O que levamos desta vida inútil
Tanto vale se é
A glória, a fama, o amor, a ciência, a vida,
Como se fosse apenas
A memória de um jogo bem jogado
E uma partida ganha
A um jogador melhor.

A glória pesa como um fardo rico,
A fama como a febre,
O amor cansa, porque é a sério e busca,
A ciência nunca encontra,
E a vida passa e dói porque o conhece...
O jogo do xadrez
Prende a alma toda, mas, perdido, pouco
Pesa, pois não é nada.

Ah! sob as sombras que sem querer nos amam,
Com um púcaro de vinho
Ao lado, e atentos só à inútil faina
Do jogo de xadrez
Mesmo que o jogo seja apenas sonho
E não haja parceiro,
Imitemos os persas desta história,
E, enquanto lá fora,
Ou perto ou longe, a guerra e a pátria e a vida
Chamam por nós, deixemos
Que em vão nos chamem, cada um de nós
Sob as sombras amigas
Sonhando, eles os parceiros, e o xadrez
A sua indiferença.

Ricardo Reis 

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A preguiça

De todas as paixões, a que nos é mais incógnita é a preguiça. É a mais ardente e a mais maligna de todas, ainda que a sua violência seja imperceptível e que os seus danos se escondam. Se observarmos com atenção o seu poder, notaremos que ela se torna sempre mestra dos nossos sentimentos, dos nossos interesses e dos nossos desejos. Ela é a demora que tem a força para fazer parar os maiores navios, é uma calmaria mais preguiçosa para as grandes empresas do eu do que os bancos de areia e do que as maiores tempestades. O repouso dado pela preguiça é uma sedução secreta da alma, que pára de repente as lutas mais inflamadas e as resoluções mais obstinadas. Enfim, para se dar uma verdadeira ideia desta paixão, é preciso dizer que a preguiça é como que um estado de beatitude da alma, consolando-a das suas pedras e ocupando o lugar de todos os bens.

La Rochefoucauld, in «Reflexões»

Em que medida o homem activo é preguiçoso

Creio que cada um deve ter uma opinião própria sobre todas as coisas, acerca das quais são possíveis opiniões, porque ele mesmo é uma coisa singular, única, que ocupa uma posição nova, nunca vista, em relação a todas as outras coisas. Mas a preguiça, que jaz no fundo da alma do homem activo, impede-o de tirar água do seu próprio poço. Com a liberdade das opiniões passa-se o mesmo que com a saúde: ambas são individuais, nem de uma nem de outra se pode formular um conceito universalmente válido. Aquilo que um indivíduo necessita para a sua saúde já é motivo de doença para outro, e muitos caminhos e meios para se chegar à liberdade de espírito podem ser considerados por naturezas superiormente desenvolvidas como caminhos e meios que afastam da liberdade.

Nietzsche, in 'Humano, Demasiado Humano'

O isolamento do momento é indiferença

Se examinarmos num determinado momento - no instante presente, separado do passado e do futuro - descobrimo-nos inocentes. Não podemos ser nesse instante mais do que aquilo que somoS: todo o desenvolvimento implica uma duração. Está na essência do mundo, nesse instante, que sejamos assim. Isolar assim um instante implica o perdão. Mas este isolamento é indiferença.

Simone weil, in 'A Gravidade e a Graça'

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Relatos biográficos de crianças normais

O pequeno John perguntou ao seu mestre: «Mestre, como poderei eu ser feliz conjugando a minha existência com a da Filosofia?». O mestre respondeu: «Pensa que ela não existe. Escolhe-te a Ti e mata-me se conseguires. Mas esquece de quem alguma vez fui e cega os olhos à Filosofia.»

A pequena Marie sofreu uma zanga geral do grupo de amigas com quem brincava à tarde no recreio depois de ter partido a boneca de Sophie. Quando não aguentava mais não ter amigas, perguntou à mãe, entre soluços desconsolados: «Mãe, o que fazer para ter as minhas amigas de volta?», ao que a mãe respondeu, aliviando-lhe as bochechas do sal líquido que  lhe escorria pelas faces rosadas: «Querida, finge que elas não existem! Arranja amigas novas ou brinca sozinha. Mas quando passares por elas, não olhes para elas!»

O pequeno Hans queria fazer um trabalho de grupo, mas os colegas tinham sempre outras coisas que fazer. Quando perguntou ao pai: «Papá, como vou fazer o trabalho? Tenho que o entregar amanhã, ou a professora vai ficar muito aborrecida...», o pai respondeu: «Faz sozinho! E nunca mais faças grupo com eles.»

Os habitantes do Morro do Matagato poderiam ter feito o mesmo, mas por alguma razão, Jorge Amado assim não decidiu. Não entendo a racionalidade de alguns humanos, incluindo esta que aqui está. Talvez seja melhor fingir que não existe, até que o constrangimento temporal me impeça de continuar fingindo que existe algo para além do agoiro trapalhão e monótono do túnel sem fim, revestido de abafadores acústicos.

Silêncio

Já o silêncio não é de oiro: é de cristal;
redoma de cristal este silêncio imposto.
Que lívido museu! Velado, sepulcral.
Ai de quem se atrever a mostrar bem o rosto!

Um hálito de medo embaciando o vidrado
dá-nos um estranho ar de fantasmas ou fetos.
Na silente armadura, e sobre si fechado,
ninguém sonha sequer sonhar sonhos completos.

Tão mal consegue o luar insinuar-se em nós
que a própria voz do mar segue o risco de um disco...
Não cessa de tocar; não cessa a sua voz.
Mas já ninguém pretende exp'rimentar-lhe o risco!

David Mourão-Ferreira in «Tempestade de Verão»

domingo, 7 de agosto de 2011

Geração de Morfeu

Fernando Pessoa, Almada Negreiros, Mário de Sá-Carneiro, Luís Montalvor, Santa Rita Pintor e Amadeo de Souza-Cardoso foram alguns dos membros da geração de Orpheu, que decidiram reunir-se para dar uma bofetada no gosto público. O nome foi escolhido de forma inteligente e culta, já que Orpheu fora um músico grego da mitologia que se apaixonou pela deusa Eurídice, casando-se mais tarde com ela. Eurídice, arrastando uma invulgar beleza, conquistou inocentemente um apicultor chamado Aristeu. Ela, tentando escapar-lhe numa perseguição que ele orquestrou para a conseguir capturar, tropeçou numa cobra, que a mordeu e matou, tendo-a enviado para o mundo dos mortos, do qual Hades era deus supremo. Orpheu foi ao encontro de Hades e suplicou-lhe que lhe devolvesse a sua amada, e o desespero, ao som de uma lira, fez o deus dos mortos chorar lágrimas de ferro e prometeu trazer Eurídice de volta, mas com uma condição: Orpheu não podia entornar os seus olhos sobre a mulher até que a luz do Sol a cobrisse por completo - não podia olhar para trás. A geração de Orpheu não deveria olhar para trás, para quem os antecedesse e criticasse cegamente os seus propósitos (e estava implícito fazer reuniões regulares e trocar ideias, construir ideias, pelo que não o referenciaremos a não ser entre parêntesis). O resultado desta motivação foi a efervescência fecunda de ideias que todos hoje conhecemos, ainda que muitos a possam conhecer apenas pelo nome. Se a internet fosse um instrumento alcançável, porventura teriam formado um blog e poderiam publicar ainda mais textos e críticas do que numa revista. Teria sido uma mais-valia, não concordam?

Se decidirmos o nosso nome, irei propôr "Geração de Morfeu". Morfeu é o deus grego dos sonhos. Os sonhos não acontecem senão dentro de cada um, com as direcções que cada um escolhe, dizendo respeito a cada um individualmente. Geração de Morfeu seria um bom nome.

sábado, 6 de agosto de 2011

Memorial da quase-corte de D. João V

Era uma vez, nos claustros do ano 1707, um conjunto de músicos nobres que sonhava conseguir as partituras da corte de D. João V para formar uma orquestra de câmara. Como isso se anunciava um sonho objectivamente impossível, dado todas as proibições, escusas e dificuldades que a época em causa vestia, decidiram encontrar-se para ensaiar algumas passagens que bem conheciam de ouvido, dos festins no palácio real, e então esperar para ver o que dava. No entanto, no dia em marcaram o primeiro ensaio, um deles teve que ir à missa, e era o que tinha melhor ouvido. Na segunda data planeada, outro dos músicos teve que dar uma lição de cravo à Infanta Dona Francisca. Sem o baixo contínuo, como poderia fazer-se o ensaio? A viola da gamba ainda não conhecia a sua linha melódica porque ao ensaio anterior tinha faltado o músico-do-bom-ouvido. Pela terceira vez em que se marcou uma reunião, foram alguns; entre os outros, um foi visitar a família ao Norte e os outros tiveram um jantar com o rei. Sem violino e flauta, decidiu fazer-se um ensaio de naipe. Mas era o violinista o concertino, pelo que o andamento não acertou, nem o compasso tão pouco. Ao quarto ensaio ninguém podia ir porque todos tinham outra coisa para fazer e pouca vontade de sentirem os canais auditivos serem tão ofensivamente tratados por instrumentos preguiçosos e descompassados no tempo. Então os músicos acharam que era melhor esquecer a primeira parte do plano, a de se encontrarem para ensaiar algumas passagens que conheciam bem de ouvido, e optaram por esperar para ver o que dava, e foi a melhor solução. Ao fim de uns anos, alguns tiveram netos, outros tiveram sobrinhos e outros permaneceram sozinhos, vivendo com outros familiares. Mas todos acabaram por morrer. Nenhum deles descobriu o que os ensaios poderiam ter semeado.

Televisão digital e regulação de frequências

«Hey! Pst! Tu aí! Sim, tu, que esfregas os olhos, porque é que segues em frente (o que farás quando chegares ao cimo da rua)? O caminho está a ser turvo e torto, mas silenciosamente torto, um silêncio esférico, o mesmo que emite uma televisão desligada, avariada, irreversível, posta para sempre a um canto na cozinha, só num lugar mais escondido - o lugar visível, tomou-o uma nova televisão digital. Qual a razão de se manter a outra condenada? As pessoas talvez apreciem acumular elementos ou temam profundamente o gesto de retirar algo da vista. Por isso mantém o barco de borracha a flutuar num lago sem ondas onde a ausência de corrente marítima impede o movimento livre e enérgico do barco (agora fardo poluente). É por isso que há sempre uma divisão da casa votada ao armazenamento de materiais antigos que não podem ser mexidos. É por isso que há dúvidas que nunca se colocam, porque já se acomodaram. É por isso que há perguntas que nunca se fazem e relações que adormecem ao canto daquilo que não chegaram a ser, porque há relações que nunca começam.»

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Ridículo de ser ridículo

Olá amigos,
Hoje é o meu dia de cair no ridículo e, como ainda tenho uns dias para o fazer, decidi: cair no ridículo (entendam, entendam... não estou a reflectir, não cheguemos a tanto). Ou talvez sim. Todos os dias, desde que acordo até acordar de novo, pesquiso em mim própria indícios de mim para tentar desenhar o mapa do tesouro. É assim há anos, mas todos os anos a folha aumenta de tamanho na razão do exponete que é o ano transacto. Mas têm-me envolvido o pensamento outras questões de natureza identitária distintas das anteriores, as quais eu estranho com uma leve sensação de nebulosidade óptica... Terei que dobrar a duração dos meus dias para que, desde que acordo até acordar de novo na segunda volta do meu primeiro dia, pesquise em nós indícios da nossa actividade para tentar desenhar um mapa do tesouro. Penso que seria menos difícil, mas, paradoxalmente, também impossível. Por isso não vou fazer mais do que agora para me manifestar sobre este tema, nestes pobres moldes. Poderei aceitá-lo como uma limitação minha e continuar em coma ou antes desligar as máquinas. Mas continuar em coma ou desligar as máquinas, é uma decisão que deve ser de todos, a menos que as energias do céu se unam para nos hacer un milagrito, plis!

Somos tão bem definidos de fronteiras, ou será que somos cera derretida e já seca? Eu sou vocês e como eu sou inactiva, vocês também o são? Ou sou-o em consequência de ser parte de algum de vocês que me incorpora? (Agora estou a reflectir, infelizmente). Poderá haver entre nós algo em comum? Somos nós quem o decide. Somos pacotes de cartão dispostos lado a lado numa garagem fechada e podemos ser a mobília de um castelo.