«Hey! Pst! Tu aí! Sim, tu, que esfregas os olhos, porque é que segues em frente (o que farás quando chegares ao cimo da rua)? O caminho está a ser turvo e torto, mas silenciosamente torto, um silêncio esférico, o mesmo que emite uma televisão desligada, avariada, irreversível, posta para sempre a um canto na cozinha, só num lugar mais escondido - o lugar visível, tomou-o uma nova televisão digital. Qual a razão de se manter a outra condenada? As pessoas talvez apreciem acumular elementos ou temam profundamente o gesto de retirar algo da vista. Por isso mantém o barco de borracha a flutuar num lago sem ondas onde a ausência de corrente marítima impede o movimento livre e enérgico do barco (agora fardo poluente). É por isso que há sempre uma divisão da casa votada ao armazenamento de materiais antigos que não podem ser mexidos. É por isso que há dúvidas que nunca se colocam, porque já se acomodaram. É por isso que há perguntas que nunca se fazem e relações que adormecem ao canto daquilo que não chegaram a ser, porque há relações que nunca começam.»
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