Fernando Pessoa, Almada Negreiros, Mário de Sá-Carneiro, Luís Montalvor, Santa Rita Pintor e Amadeo de Souza-Cardoso foram alguns dos membros da geração de Orpheu, que decidiram reunir-se para dar uma bofetada no gosto público. O nome foi escolhido de forma inteligente e culta, já que Orpheu fora um músico grego da mitologia que se apaixonou pela deusa Eurídice, casando-se mais tarde com ela. Eurídice, arrastando uma invulgar beleza, conquistou inocentemente um apicultor chamado Aristeu. Ela, tentando escapar-lhe numa perseguição que ele orquestrou para a conseguir capturar, tropeçou numa cobra, que a mordeu e matou, tendo-a enviado para o mundo dos mortos, do qual Hades era deus supremo. Orpheu foi ao encontro de Hades e suplicou-lhe que lhe devolvesse a sua amada, e o desespero, ao som de uma lira, fez o deus dos mortos chorar lágrimas de ferro e prometeu trazer Eurídice de volta, mas com uma condição: Orpheu não podia entornar os seus olhos sobre a mulher até que a luz do Sol a cobrisse por completo - não podia olhar para trás. A geração de Orpheu não deveria olhar para trás, para quem os antecedesse e criticasse cegamente os seus propósitos (e estava implícito fazer reuniões regulares e trocar ideias, construir ideias, pelo que não o referenciaremos a não ser entre parêntesis). O resultado desta motivação foi a efervescência fecunda de ideias que todos hoje conhecemos, ainda que muitos a possam conhecer apenas pelo nome. Se a internet fosse um instrumento alcançável, porventura teriam formado um blog e poderiam publicar ainda mais textos e críticas do que numa revista. Teria sido uma mais-valia, não concordam?
Se decidirmos o nosso nome, irei propôr "Geração de Morfeu". Morfeu é o deus grego dos sonhos. Os sonhos não acontecem senão dentro de cada um, com as direcções que cada um escolhe, dizendo respeito a cada um individualmente. Geração de Morfeu seria um bom nome.
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