segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Conveniencias de no usar de los ojos, de los oídos y de la lengua

Oír, ver y calar, remedio fuera
En tiempo que la vista y el oído
Y la lengua pudieran ser sentido
Y no delito que ofender pudiera.

Hoy, sordos de los remedios con la cera,
Golfo navegaré que (encanecido
De huesos, no de espumas) con bramido
Sepulta a quién oyó voz lisonjera.

Sin ser oído y sin oír, ociosos
Ojos y orejas, viviré olvidado
Del ceño de los hombres poderosos.

Si es deito saber quien ha pecado,
Los vicios escudriñen los curiosos:
Y viva yo ignorante y ignorado.

Francisco de Quevedo

1 comentário:

  1. Conveniências de não usar os olhos, os ouvidos e a língua

    Ouvir, ver e calar remédio era
    Nesse tempo em que os olhos e o ouvido
    E a língua puderam ser sentido
    E não delito que ofender pudera.

    Surdos, hoje, os remeiros com a cera,
    Um mar que navegarei que (encanecido
    De ossos, mas não de espumas) bramido
    Sepulta quem ouviu voz insincera.

    Sem ser ouvido e sem ouvir, ociosos
    Olhos e orelhas, serei olvidado
    Pelo cenho dos homens poderosos.

    Se é delito saber quem é culpado,
    O vício que o indaguem os curiosos:
    E eu viva ignorante e ignorado.

    (Tradução de José Bento)

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