quarta-feira, 30 de março de 2011

Acordai

No mais, Musa, no mais, que a Lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Dhua austera, apagada e vil tristeza*

[Os Lusíadas, X, 145]

Que matéria é esta de que o nosso tão português há cinco séculos a esta parte nos já falava com nostalgia*? Será que são a tristeza e o apagamento que nos unem uns aos outros numa espécie de poeira universal? Uma acomodada e indiferente cegueira que não repara? Estará mecanizado o processo de acordar todos os dias? A intencionalidade/ abertura ao mundo - ao conhecer-o-mundo, onde cabe?

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