quarta-feira, 16 de março de 2011

Manifesto de uma Manifestação minha

O ligeiro nevoeiro daquele Sábado de Março tornava ténue o corpo robusto da multidão que saiu às ruas de Lisboa. Talvez seja Adamastor. O clamor das vozes humanas em uníssono atrai-me, confesso. São como ninfas que na sua dança (en)cantam.

Entranho-me neste corpo de humanos, chego a fazer parte dele, mas, na realidade, apenas sou um observador que quis fitar o mundo por dentro. Passo por ele invisível, da mesma forma que ele passa por mim, mas visível aos meus olhos. Quero mirar este humano.

Diz a lenda que D. Sebastião, o símbolo fecundo de um novo império, voltará por uma manhã de névoa, no seu cavalo branco, oriundo de uma ilha longínqua onde esteve à espera da hora do regresso.

Hoje, esta massa rompeu o nevoeiro. Será símbolo do nascimento de um novo império? Não sei. Porém, estas consciências reuniram-se e tornaram-se numa só, numa única voz. Será que não contêm em si o gérmen de algo maior? Será o prelúdio de uma nova manifestação? Simbolizará a possibilidade de uma revolução da consciência?

1 comentário:

  1. Não há nada mais bonito que transpor a reflexão das vivências para prosa poética. Será o símbolo do nascimento de um império novo?

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