sexta-feira, 11 de março de 2011

(des-)asseio

«Assim como lavamos o corpo deveríamos lavar o destino, mudar de vida como mudamos de roupa - não para salvar a vida, como comemos e dormimos, mas por aquele respeito alheio por nós mesmos, a que propriamente chamamos asseio.


Há muitos em quem o desasseio não é uma disposição da vontade, mas um encolher de ombros da inteligência. E há muitos em quem o apagado e o mesmo da vida não é uma forma de a quererem, ou uma natural conformação do não tê-la querido, mas um apagamento da inteligência de si mesmos, uma ironia automática do conhecimento. (...)»

Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 42

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