Introdução,
A Filosofia natural (Física) tem como objecto as leis da natureza, a Filosofia moral (Ética) tem como objecto as leis da vontade do homem. As leis da natureza descrevem como tudo acontece, as leis da vontade do homem ditam como tudo deve acontecer. Ambas estas ciências têm parte empírica, respectivamente, Teoria da natureza e Antropologia prática, e parte racional, Metafísica da Natureza e Metafísica dos Costumes (ou Moral).
A dicotomia das ciências em parte empírica e racional, advém da necessidade de (depurando dos elementos empíricos) investigar de quanto é capaz a razão pura no conhecimento dos seus objectos, e de investigar a fonte dos seus princípios a priori, isto é, dos princípios pelos quais o entendimento conhece os seus objectos totalmente a priori. Se a Filosofia empírica se ocupa da Teoria da natureza e da Antropologia prática, a Filosofia pura, especificamente a Metafísica, ocupa-se dos objectos do entendimento (A Lógica ocupa-se das leis do pensar em geral, sendo uma ciência totalmente a priori, não tendo portanto qualquer parte empírica)
Vou deter-me sobre as Leis da vontade do homem. Procuro buscar e fixar o princípio supremo da moralidade, princípio esse, a priori, objecto do conhecimento racional, portanto através de uma Metafísica dos costumes. Remete à Antropologia a parte empírica da ciência Ética, e considerando que um princípio moral tenha que ter em si uma necessidade absoluta (para que não tenha um valor meramente contingente), este nunca pode ser fundado em qualquer móbil que seja de certa medida universal, por melhor e mais digna que seja a intenção, pois que sendo um móbil baseado na experiência, este nunca poderá fundamentar mais do que uma regra prática, nunca poderá fundamentar uma lei moral.
A Metafísica dos costumes pretende investigar a fonte desses princípios práticos a priori, que fundamentam a lei moral. É impossível julgar o valor moral de uma acção enquanto o seu princípio não for estabelecido, e só poderá ser estabelecido a priori, nunca através de «motivos empíricos, que o entendimento eleve a conceitos universais apenas pelo confronto das experiências» - É necessário atender às fontes dos princípios. Proponho-me portanto a investigar os princípios de uma vontade pura, não o condicionamento subjectivo, objecto da Psicologia.
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