
De dentro da minha casa, avisto através de uma janela uma realidade que não se vê. Sentada nesta cadeira, de pernas e braços cruzados, à espera que o mistério se desvenda por si só. Eu sei que isso não acontecerá, por isso, acendo um cigarro na esperança de que se incendeie a descoberta na minha mente.
Há um vidro baço que separa esta realidade. Posso tocá-lo: é frio, duro e macio. É baço, frágil, quebradiço e fino como uma folha. Não consigo ver o que acontece do outro lado, no entanto, sonho. Sonho muitas vezes. Todos os dias. Sonho encostada àquela superfície. Sonho sobre o nada e o tudo que se passa na minha mente, talvez apenas aí. Exprimo toda a raiva de ser cega àquela realidade contra o vidro que me separa e me mantém confinada a este lado, sentada todo o dia, a imaginar. Perco-me entre realidades criadas na mente e a trazida pelos sentidos, talvez também ela fictícia. Bato várias vezes no vidro com força na expectativa de obter uma resposta . Encosto a face junto àquela superfície fria: não oiço nada do outro lado. Talvez não exista ninguém para me ouvir. Escorro pelo vidro abaixo, não porque existe gravidade, mas porque a desilusão de não conhecer deixa-me à mercê dum cansaço. Este vidro,como todos os outros, parte-se e desfaz-se em cacos. É uma leve película opaca cheia de força. Não o destruo e contínuo a cismar sobre o que existe do outro lado.
- Porque é que não o parto?
O desconhecido tem um fascínio inato: uma névoa escura que nos atormenta, um medo de cair no limbo e de permanecer na ignorância eternamente. Ainda assim, existe o prazer da possibilidade de ser desvendado e de trazer a descoberta. É o poder da revelação em eminência.
Trata-se de um jogo onde se fazem apostas (e batotas), onde brincamos e criamos existências que não existem. Atiram-se dados viciados. Atiram-se dados em branco para o nada.
- Quantos vidros ainda temos de partir para fingirmos conhecer a(s) realidade(s)?

Há um vidro baço que separa esta realidade. Posso tocá-lo: é frio, duro e macio. É baço, frágil, quebradiço e fino como uma folha. Não consigo ver o que acontece do outro lado, no entanto, sonho. Sonho muitas vezes. Todos os dias. Sonho encostada àquela superfície. Sonho sobre o nada e o tudo que se passa na minha mente, talvez apenas aí. Exprimo toda a raiva de ser cega àquela realidade contra o vidro que me separa e me mantém confinada a este lado, sentada todo o dia, a imaginar. Perco-me entre realidades criadas na mente e a trazida pelos sentidos, talvez também ela fictícia. Bato várias vezes no vidro com força na expectativa de obter uma resposta . Encosto a face junto àquela superfície fria: não oiço nada do outro lado. Talvez não exista ninguém para me ouvir. Escorro pelo vidro abaixo, não porque existe gravidade, mas porque a desilusão de não conhecer deixa-me à mercê dum cansaço. Este vidro,como todos os outros, parte-se e desfaz-se em cacos. É uma leve película opaca cheia de força. Não o destruo e contínuo a cismar sobre o que existe do outro lado.
- Porque é que não o parto?
O desconhecido tem um fascínio inato: uma névoa escura que nos atormenta, um medo de cair no limbo e de permanecer na ignorância eternamente. Ainda assim, existe o prazer da possibilidade de ser desvendado e de trazer a descoberta. É o poder da revelação em eminência.
Trata-se de um jogo onde se fazem apostas (e batotas), onde brincamos e criamos existências que não existem. Atiram-se dados viciados. Atiram-se dados em branco para o nada.
- Quantos vidros ainda temos de partir para fingirmos conhecer a(s) realidade(s)?
O conhecimento é ética. Se partir um vidro e me cortar, de quem é mesmo a pele que rasguei? Creio que da realidade, da mesma que está para lá das janelas, a mesma que está nas minhas sinapses. Nas minhas sinapses que já não são minhas são de um córtex que já não é meu de uma realidade da realidade de tudo o que não sou Eu.
ResponderEliminarPorque hei-de estilhaçar o que se abre para eu passar?